Hospital? Amato Lusitano

среда, декабря 20, 2006

HORAS EXTRORDINÁRIAS

PROPOSTA DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS PARA O SECTOR MÉDICO

Nos termos dos nºs 1 e 2 do art. 12º do DL 184/89, de 2 de Junho, "o exercício das funções públicas é norteado pelo principio da exclusividade", não sendo permitida a acumulação de cargos ou lugares na administração Pública "salvo quando devidamente fundamentada em motivo de interesse público", nomeadamente - di-lo a alínea c) do nº 2 do art. 31 do DL 427/89, de 7 de Dezembro - em situações de "actividades de carácter ocasional e temporário que possam ser consideradas complemento do cargo ou função".
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Cabe, particularmente salientar que algumas profissões e actividades são especialmente desgastantes física e psicologicamente, havendo o risco de um elevado número de horas de trabalho pôr em causa a qualidade dos serviços públicos de saúde, daí se justificando a adopção de um limite - como critério de duração de trabalho total (serviço de origem e o da acumulação) - de 54 horas semanais. DIRECTIVA DA CEE
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Relativamente á instrução dos processos de acumulação - cuja competência é do serviço beneficiário da acumulação - afigura-se conveniente fixar um conjunto de regras disciplinadoras e de procedimentos, a observar pelos interessados e pelos orgãos de gestão, na apreciação dos pedidos que lhes são submetidos.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Assim, do requerimento a apresentar pelo interessado na acumulação deve constar:
1. Identificação do serviço beneficiário da acumulação e local de exercício;
2. Horário de trabalho a praticar;
3. Remuneração a auferir;
4. Indicação do carácter autónomo ou subordinado o trabalho a prestar e a descrição sucinta do seu conteúdo;
5. Fundamentação da inexistência de conflito entre as funções inerentes ao lugar do serviço de origem e ao cargo a acumular;
6. Compromisso de cessação imediata da actividade em acumulação, no caso de ocorrência superveniente de conflito.
Por seu lado deverá o serviço beneficiário da acumulação, a quem compete - como se disse - a organização do respectivo proceso, fazer constar da proposta de autorização os seguintes elementos: (...)

вторник, декабря 19, 2006

NÃO É SÓ CÁ

COMUNICADO – 19 de Dezembro de 2006

Hospital Infante D. Pedro (AVEIRO)

Demissão de 23 Directores de Serviço (em 26)

Conselho de Administração "derrapa"

e atinge profissionais

Ao tomar conhecimento da grave situação criada no Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, com a demissão da Directora Clínica (nomeada há 1 ano), no que foi acompanhada por 23 dos 26 Directores de Serviço e dos Centros de Responsabilidade, não pode o Sindicato dos Médicos da Zona Centro deixar de lamentar as graves consequências que daí ádvêm, tanto para os profissionais em causa, como para os seus Colegas e para os utentes.
É para nós incompreensível como de um momento para o outro se multipliquem acções de descontentamento em profissionais com responsabilidades ao nível da Direcção Clínica e de serviço, motivadas pela não concordância com o rumo tomado pelas instâncias superiores na sua condução, como são os casos de posições semelhantes ocorridas em Leiria e na Figueira da Foz.
De salientar o facto de, nestes casos, estarmos a falar de profissionais com provas dadas e competência técnica reconhecida, cuja competência profissional nos merece toda a credibilidade.
Por seu lado, o Conselho de Administração do HDAveiro, cuja nomeação é da responsabilidade do Governo actual, tem demonstrado uma total incapacidade para cumprir a sua missão, excepto na rubrica de aumento de despesa para bens de uso pessoal, na qual é exemplo a compra de uma nova frota automóvel.
Assim, vai este Sindicato solicitar audiência urgente com a Tutela, no sentido de esclarecer todo este clima de conflitualidade.
A DIRECÇÃO DO SMZC

ROBESPIERRE

Actualidade de Robespierre

“Um governo popular, democrático, ameaçava a tradicional máquina de opressão das classes dominantes”

María Toledano - 01.12.06


“…e se o perigo surge, disponho-me a observar a sua ameaça com um sorriso”
Giacomo Leopardi, Cantos, XXVI

Robespierre, o incorruptível, morreu no final de Julho de 1794. Com o advogado de Arrás, encontraram a morte outros vinte e um destacados revolucionários. Saint-Just – não tinha ainda trinta anos – estava entre eles. A burguesia liberal, encabeçada pelos seus representantes girondinos, conseguiu alterar, uma vez mais, o curso da história revolucionária. O poder sobre os assuntos de Estado estava em jogo. A democracia face aos privilégios de classe, a propriedade e a posse. A questão da repartição equitativa da riqueza, da felicidade e a liberdade, serviam de inspiração a todos os decretos do governo e aos discursos na Convenção. Um governo popular, democrático, ameaçava a tradicional máquina de opressão das classes dominantes. “O único consolo que resta aos bons cidadãos no meio do perigo em que esses homens colocaram a coisa pública, é julgá-los de forma severa”. Assim falava Robespierre, 1791 na Assembleia Nacional. Três anos depois, antes da sua queda e assassinato, teria dito o mesmo. A revolução socialista enfrentava a exemplar violência dos seus inimigos. Saint-Just defendia o progresso social, aplicava duros impostos aos latifundiários e às grandes fortunas de França e lutava manu militari, contra a subversão golpista. Desde muito novo Robespierre tinha pouca saúde. A sua vida, homem de acção, tampouco foi fácil. Já foi dito muitas vezes, e outras tantas se interpretará de forma incorrecta: a democracia, isto é, o livre exercício efectivo de todos e de cada um dos direitos individuais e colectivos plasmados na Constituição é o comunismo. Robespierre e Saint-Just estiveram de acordo. Separadas as cabeças dos troncos, os seus cadáveres foram enterrados numa vala comum, cobertos de terra e cal, perto de Errancis. Em 1840, em plena batalha pela liberdade e a memória histórica, um grupo de jacobinos procurou os seus restos mortais. Não encontraram nada. Deve ter sido por causa da cal. Não existe liberdade fora das leis do Estado, repetia Espinosa.

Pela felicidade e pela liberdade, é o título de uma recomendável selecção de discursos de Maximilien Robespierre publicada por El Viejo Topo em 2005, seguindo a edição francesa (2000) de La fabrique. Os nomes dos editoriais têm fortes ressonâncias. Ressonâncias. O passado. “Até aqui, a arte de governar não foi outra coisa senão a arte de despojar e dominar a maioria em proveito da minoria, e a legislação, o meio de converter estes atentados em sistema. Os reis, os aristocratas executaram muito bem o seu trabalho: agora deveis fazer o vosso, isto é, tornar livres os homens através das leis”, Discurso na Convenção, Maio de 1793. Robespierre tinha fortes dores de cabeça, perturbações gástricas e pouco dormia. À noite escrevia os discursos, organizava a República, recebia informações de todos os territórios e reunia-se com os mais próximos colaboradores. Semanas antes de morrer a sua saúde deteriorava-se. A corrupção galopava por toda a administração, minando a credibilidade do Estado: “O princípio da responsabilidade moral exige além disso – argumentava em 1793 – que os agentes do governo prestem, em períodos determinados e com muita continuidade, contas exactas e circunstanciadas da sua gestão. Que as contas sejam tornadas públicas através de impressão e submetidas à fiscalização de todos os cidadãos. Por consequência, que sejam enviadas a todas as administrações e comunas.

Muitos foram os anos cinzentos que passaram depois da morte de Robespierre. Muitos anos, muitos mortos. A maioria, anónimos, ficou enterrada nas margens da história. Já ninguém lê os discursos pronunciados na Convenção. Talvez este livro de El Viejo Topo sirva para levantar o imenso manto de desconhecimento que cobre a figura deste advogado. “A revolução é a guerra da liberdade contra os seus inimigos: a constituição é o regime de liberdade vitoriosa e aprazível”. Perto de Errancis, avanço para a lenda, a sua cabeça perdida, enterrada em cal, ainda recorda o instante da sua morte.

Tradução de José Paulo Gascão

ANA MANSO (ARTIGO)

SECÇÃO: Opinião

ANÁLISE - POR ANA MANSO*

A saúde e o Interior
QUATRO hospitais, vinte e cinco centros de saúde e mais umas dezenas de extensões, constituem a rede que presta cuidados de saúde a uma população de cerca de quatrocentas mil pessoas, nos distritos da Guarda e de Castelo Branco, com a particularidade de a maior parte ser idosa. Durante anos e anos, este modelo de Serviço Nacional de Saúde, apesar das muitas carências e dificuldades, foi-se actualizando e modernizando e, hoje, com a Faculdade de Medicina, tem condições para se transformar num Centro Hospitalar de referência. A sua criação, é o caminho certo para que exista a dimensão necessária, que permita a esta região constituir-se num pólo de saúde de excelência, atractivo para profissionais e de qualidade para os doentes. Dimensão essa, indispensável para criar a massa crítica que permita exigir a necessária modernização tecnológica e garantir o seu crescimento e desenvolvimento sustentável.

A ideia não é nova. Já na década de 70 se falava em complementaridade entre os três hospitais, com a pneumologia na Guarda, a urologia na Covilhã e a gastrenterologia em Castelo Branco. Mas o processo foi-se arrastando, arrastando, e nunca se chegou a concretizar. Importa no entanto referir, que nesse processo, os hospitais mantinham a sua identidade, a sua cultura e a sua autonomia económica e financeira. Era um processo de crescimento, de valor acrescentado.

Nessa altura, os hospitais estavam muito equilibrados entre si. Mas hoje, as desigualdades de qualidade das suas instalações e de equipamento, acentuaram-se de tal maneira, que tornam o processo muito mais complexo, mas nem por isso menos oportuno. Direi mesmo que o desafio é maior, e também por isso, mais atraente e motivador. O importante é ser devidamente planeado, com critérios objectivos e previamente definidos, que respeitem as diferenças e as mais-valias institucionais. É pois, fundamental que seja executado por profissionais experientes e competentes, conhecedores das realidades locais, que tenham ambição para sonhar alto e para o realizar.



O caso do encerramento de urgências

Mas como se isto não chegasse, eis que a actual política de saúde vem complicar ainda mais a situação. Os avanços e recuos, a propaganda, a ameaça de encerramento de duas ou de uma das três maternidades, o esvaziamento e a desactivação de alguns serviços e o adiar da (re)construção do novo hospital da Guarda, só tem contribuído para criar um clima de insegurança e instabilidade nos profissionais, nos doentes e na população. Finalmente "o caso de requalificação da rede de urgência" que prevê o encerramento dos SAP's no período nocturno e da urgência do hospital do Fundão, reduzindo os 25 pontos de urgência a sete, sendo quatro no distrito de Castelo Branco – com duas urgências médico-cirúrgicas nos hospitais de Castelo Branco e da Covilhã e duas urgências básicas na Sertã e Idanha-a-Nova – e três no distrito da Guarda – com uma urgência médico-cirúrgica no hospital da Guarda e duas urgências básicas em Seia e Vila Nova de Foz Côa – lançou o alarme e a desconfiança entre autarcas, profissionais, doentes e população em geral.

Tudo isto foi feito, nas costas das pessoas e sem estas serem ouvidas, e sem ainda estarem criadas as necessárias condições nos sete pontos de rede de urgência ora apontados. Isto é, sem estar feito um trabalho prévio que passa pela conjugação com outras acções complementares ligadas a acessibilidades e à requalificação de recursos humanos e materiais. Mesmo que, agora, a ARSC venha com promessas que soam a falso, ou a dar o dito pelo não dito, para mais tarde atacar de novo e fazer depois o que agora não tem condições para fazer. As acções de protesto, que em simultâneo foram desenvolvidas pelos autarcas, a desconfiança que já esta instalada e com ela a desmotivação, fizeram afinal efeito, e demonstraram ser correctas e justas. De facto, todas as manobras da ARSC foram feitas antes de terminar o prazo de discussão pública e antes da audição com a Comissão Parlamentar de Saúde, como tinha assumido, por escrito, o ministro da Saúde. Resta saber quem queria pôr o carro à frente dos bois, ou quem estava interessado, em fazer à pressa e antes do tempo, o que exige planeamento, criação de alternativas, acções complementares e execução escalonada no tempo. Será que temos aqui um caso de excesso de zelo ou de pura obsessão financeira? Ou será que se trata de querer ser mais papista que o próprio papa? É caso para dizer que, antes de piorar o que funciona, encerrando urgências e SAP's e desactivando serviços no Interior e com isso prejudicando as gentes que mais precisam e menos podem – o que convenhamos, é mais fácil e resolve o problema do défice – é necessário melhorar o que está mal ou está parado. E para isso terá todo o nosso apoio, e a população agradece.

É preciso ter consciência que este clima de crispação e desconfiança por um lado, e de falta de diálogo e transparência por outro, pode comprometer ou pelo menos não facilitar, o processo de criação do futuro Centro Hospitalar da Beira Interior. E seria uma pena, pois constituiria, mais uma oportunidade perdida, para a Saúde e para o desenvolvimento do Interior.



*Deputada do PSD da Guarda na Assembleia da República

ANA MANSO (ARTIGO)

Jornal do Fundão

I

SECÇÃO: Opinião

ANÁLISE - POR ANA MANSO*


A saúde e o Interior


QUATRO hospitais, vinte e cinco centros de saúde e mais umas dezenas de extensões, constituem a rede que presta cuidados de saúde a uma população de cerca de quatrocentas mil pessoas, nos distritos da Guarda e de Castelo Branco, com a particularidade de a maior parte ser idosa. Durante anos e anos, este modelo de Serviço Nacional de Saúde, apesar das muitas carências e dificuldades, foi-se actualizando e modernizando e, hoje, com a Faculdade de Medicina, tem condições para se transformar num Centro Hospitalar de referência. A sua criação, é o caminho certo para que exista a dimensão necessária, que permita a esta região constituir-se num pólo de saúde de excelência, atractivo para profissionais e de qualidade para os doentes. Dimensão essa, indispensável para criar a massa crítica que permita exigir a necessária modernização tecnológica e garantir o seu crescimento e desenvolvimento sustentável.

A ideia não é nova. Já na década de 70 se falava em complementaridade entre os três hospitais, com a pneumologia na Guarda, a urologia na Covilhã e a gastrenterologia em Castelo Branco. Mas o processo foi-se arrastando, arrastando, e nunca se chegou a concretizar. Importa no entanto referir, que nesse processo, os hospitais mantinham a sua identidade, a sua cultura e a sua autonomia económica e financeira. Era um processo de crescimento, de valor acrescentado.

Nessa altura, os hospitais estavam muito equilibrados entre si. Mas hoje, as desigualdades de qualidade das suas instalações e de equipamento, acentuaram-se de tal maneira, que tornam o processo muito mais complexo, mas nem por isso menos oportuno. Direi mesmo que o desafio é maior, e também por isso, mais atraente e motivador. O importante é ser devidamente planeado, com critérios objectivos e previamente definidos, que respeitem as diferenças e as mais-valias institucionais. É pois, fundamental que seja executado por profissionais experientes e competentes, conhecedores das realidades locais, que tenham ambição para sonhar alto e para o realizar.



O caso do encerramento de urgências

Mas como se isto não chegasse, eis que a actual política de saúde vem complicar ainda mais a situação. Os avanços e recuos, a propaganda, a ameaça de encerramento de duas ou de uma das três maternidades, o esvaziamento e a desactivação de alguns serviços e o adiar da (re)construção do novo hospital da Guarda, só tem contribuído para criar um clima de insegurança e instabilidade nos profissionais, nos doentes e na população. Finalmente "o caso de requalificação da rede de urgência" que prevê o encerramento dos SAP's no período nocturno e da urgência do hospital do Fundão, reduzindo os 25 pontos de urgência a sete, sendo quatro no distrito de Castelo Branco – com duas urgências médico-cirúrgicas nos hospitais de Castelo Branco e da Covilhã e duas urgências básicas na Sertã e Idanha-a-Nova – e três no distrito da Guarda – com uma urgência médico-cirúrgica no hospital da Guarda e duas urgências básicas em Seia e Vila Nova de Foz Côa – lançou o alarme e a desconfiança entre autarcas, profissionais, doentes e população em geral.

Tudo isto foi feito, nas costas das pessoas e sem estas serem ouvidas, e sem ainda estarem criadas as necessárias condições nos sete pontos de rede de urgência ora apontados. Isto é, sem estar feito um trabalho prévio que passa pela conjugação com outras acções complementares ligadas a acessibilidades e à requalificação de recursos humanos e materiais. Mesmo que, agora, a ARSC venha com promessas que soam a falso, ou a dar o dito pelo não dito, para mais tarde atacar de novo e fazer depois o que agora não tem condições para fazer. As acções de protesto, que em simultâneo foram desenvolvidas pelos autarcas, a desconfiança que já esta instalada e com ela a desmotivação, fizeram afinal efeito, e demonstraram ser correctas e justas. De facto, todas as manobras da ARSC foram feitas antes de terminar o prazo de discussão pública e antes da audição com a Comissão Parlamentar de Saúde, como tinha assumido, por escrito, o ministro da Saúde. Resta saber quem queria pôr o carro à frente dos bois, ou quem estava interessado, em fazer à pressa e antes do tempo, o que exige planeamento, criação de alternativas, acções complementares e execução escalonada no tempo. Será que temos aqui um caso de excesso de zelo ou de pura obsessão financeira? Ou será que se trata de querer ser mais papista que o próprio papa? É caso para dizer que, antes de piorar o que funciona, encerrando urgências e SAP's e desactivando serviços no Interior e com isso prejudicando as gentes que mais precisam e menos podem – o que convenhamos, é mais fácil e resolve o problema do défice – é necessário melhorar o que está mal ou está parado. E para isso terá todo o nosso apoio, e a população agradece.

É preciso ter consciência que este clima de crispação e desconfiança por um lado, e de falta de diálogo e transparência por outro, pode comprometer ou pelo menos não facilitar, o processo de criação do futuro Centro Hospitalar da Beira Interior. E seria uma pena, pois constituiria, mais uma oportunidade perdida, para a Saúde e para o desenvolvimento do Interior.



*Deputada do PSD da Guarda na Assembleia da República


понедельник, декабря 18, 2006

PALAVRAS PARA QUÊ???

Segunda-feira, Dezembro 4

Desnatação dos Hospitais Públicos

http://photos1.blogger.com/x/blogger/8135/378/1600/219556/HH publicos.jpghttp://photos1.blogger.com/x/blogger/8135/378/1600/219556/HH publicos.jpg

A desnatação que está a acontecer é agora já visível aqui em Lisboa, onde os mais bem preparados se passam para os Grupos Privados, cada vez mais prontos para entrar em cena.

É essa a desnatação, para que chamaram à atenção a CC e que ele não teve dificuldade em compreender e depois em constatar.

O primeiro está a ser o Grupo Português de Saúde, com Hospitais que envolvem toda a área urbana do Porto depois do Grupo Mello no CUF-Descobertas.

Os internos de especialidades estratégicas estão a ensinar-se uns aos outros, numa época em que estão a aumentar em número.

O que está em causa é a desnatação dos melhores e dos que ensinavam. O que está em causa é o ensino médico pós-graduado - o que está em causa, de outra forma, é o SNS.

Para mal de todos nós.

Siracusa

posted by xavier at 8:08 PM

14 Comments:

guidobaldo said...

É com subtileza que a desestruturação do SNS tem vindo a ser feita. Desarticulando pontos críticos.

8:56 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116526577450396062jocapoga said...

Volta Beleza, estás perdoada!

9:17 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116526707184507569tambemquero said...

Não ouvem esse som ao longe, semelhante a uma trovoada ?

É o SNS a desmoronar-se.

11:02 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116527335795893751joaopedro said...

O SNS está a saque.
É a Iraquinização do SNS.

Se esta debandada para a privada é fruto de investimentos feitos há três anos atrás (CC, sic) (início da construção das novas unidades privadas), o que é que CC fez para prevenir esta situação?
Ou será que não previu nada?
Ou será que este era o efeito desejado?

11:20 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116527444444984744margarida said...

Andamos a ser enganados !

11:24 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116527464889723459clara said...

O Director do Hospital de Santa Marta, o cirurgião cardiotorácico José Roquete, é o novo Director do Hospital da Luz, o hospital do coquepite, da ESS, a inaugurar brevemente.

Quem souber de mais transferências milionárias para a privada, faça o favor de postar na saudesa.

1:20 AM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116528163911497293tambemquero said...

Andamos a ser enganados.

9:16 AM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116531021216241158saudepe said...

This post has been removed by the author.

10:58 AM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116531633406634915saudepe said...

Provavelmente vai haver excedentes nessa matéria. Mas há muito trabalho para dar a médicos especialistas que sejam excedentários nos hospitais centrais”, disse, considerando que, “ao longo de 30 anos, os grandes hospitais incharam de pessoal necessário e não necessário.
CC, JPúblico, 05.12.06

Esta declaração de CC deve ser interpretada à luz da recente sangria dos quadros médicos dos hospitais centrais, contratados para os hospitais privados.

Os bons especialistas são contratados pela privada.
Entre os “outros” há excedentários.

Esta declaração dá para desdramatizar a recente avalanche de contratações de médicos especialistas para os hospitais privados. Situação que vai prejudicar seriamente o normal funcionamento dos hospitais´públicos.

11:06 AM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116531676894350714cardeal patriarca said...

Galvão Teles e 2 ou 3 dos endocrinologistas do seu Serviço transferidos para o CUF - Descobertas.

2:32 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116532917999716642cardeal patriarca said...

O novo Hospital da ESS vai “buscar cerca de 100, exacto, cem, médicos ao Hospital de Santa Maria.

2:39 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116532954595203763hospitalepe said...

Quer dizer, o Hospital do coquepite, só em relação a Santa Maria deu um desfalque de 100 médicos.

Naturalmente dos mais activos e especializados.

Ó SNS está a saque.
Com a complacência (cumplicidade) de CC.

LAMENTÁVEL !

3:42 PM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116533336304275343coscuvilheiro said...

Face ao assalto dos activos dos hospitais públicos planeado pelas empresas privadas da saúde, o ministro da saúde vem falar em excedentários.
LAMENTAVél!

O que as empresas privadas estão a fazer é escolher os melhores profissionais dos hospitais públicos comprometendo seriamente a qualidade futura do ensino pós graduado.

Qual é a empresa privada da nossa praça que suportaria uma tal rapinagem dos seus quadros?

Será que a redução dos quadros da função pública se irá fazer à custa dos seus melhores técnicos?

Como quer que acreditemos que a sua principal prioridade é salvar o SNS, senhor ministro?

CC parece ultimamente mais calhado para efectuar a eutanásia do SNS.

12:20 AM http://www.blogger.com/delete-comment.g?blogID=6730840&postID=116536442164056151alerta said...

O que CC está a fazer não é eutanásia do SNS, é tortura cruel.

воскресенье, декабря 17, 2006

GRÃO A GRÃO LÁ VAMOS COMPRENDENDO

Muito aos poucos vamos percebendo através dos artigos dos jornais que o ministro tem desde inicio uma ideia muito pessoal o que quer fazer. Encomenda estudos, pensa e no dia seguinte manda um despacho.
Estas medidas até que podem muitas delas serem correctas, mas caímos sempre no ponto principal o S.N.S.

Do ponto de vista do utilizador: cada vez mais caro e mais inacessível
Do ponto de vista do prestador: cada vez mais desmotivante por não saber o que lhe vai acntecer e se ficar numa unidade menos diferenciada o que vai fazer.
Do ponto de vista de desenvolvimento regional: todas as concentrações no litoral nenhuma no interior.

O GRANDE PROBLEMA É QUE ESTE PONTO DE VISTA DA CONCENTRAÇÃO É VALIDO PARA AS ESCOLAS, INDUSTRIA, CIENCIA ETC. OU SEJA ADEUS INTERIOR QUE FICA COMO ZONA DE CAÇA TURISTICA E VISITAS TURISTICAS AOS HOMINIDIUS INTERIORES.


sexta-feira, Dezembro 15
Entrevista Miguel Gouveia

Gestão Hospitalar (GH) – Como é que vê as recentes medidas do Ministério
da Saúde? link pdf
Miguel Gouveia (MG)– Há aqui um conjunto de medidas muito grande e um
conjunto muito diferente de problemas que estão na origem destas medidas.
Nós temos uma rede de hospitais que foi delineada nos anos 70 quando as
acessibilidades e a distribuição da população eram completamente
diferentes e que foi delineada, também, para uma altura em que a
tecnologia na área da saúde implicava tempos de internamento hospitalares
relativamente longos. Agora, temos um mapa do País completamente alterado
com novas comunicações que mudam a geografia prática do acesso aos
cuidados de saúde. Ao mesmo tempo, tivemos mudanças radicais na tecnologia
dos cuidados de saúde que fazem com que as demoras médias sejam muito mais
curtas. Além disso, com toda a ênfase no hospital de dia, nas cirurgias
ambulatórias, temos uma utilização muito menor do internamento hospitalar.
Em todo o mundo estão a dar-se revoluções do parque hospitalar, fechar
serviços, fechar hospitais. Sob este ponto de vista, não é mais do que
adequar o ‘stock’ de capital que tínhamos em infraestruturas na área da
saúde às necessidades com as novas tecnologias.
Por exemplo, nos Estados Unidos, o Estado de Nova Iorque está a fechar uma
percentagem relativamente grande dos seus hospitais. O que se está a
passar em Portugal é o que se está a passar noutras parte do mundo.
GH – Nesta área, pelo menos, considera infundadas as acusações de
economicismo?
MG – Sou economista, portanto, uma acusação de economicismo não me faz
chorar muito! Muitas vezes as pessoas atiram com acusações de economicismo
quando querem que outros paguem as contas.
É natural que, da parte do Ministério da Saúde, numa altura em que, nos
últimos anos, as despesas têm continuado a crescer em ritmos superiores
aos do PIB haja alguma preocupação de fazer uma contenção de custos. Temos
esta nova realidade económica e tecnológica relativamente à qual, se não
fizessemos nada, teríamos um sistema de saúde cada vez mais obsoleto
relativamente às necessidades da população. Por outro lado, há um
argumento que os peritos utilizaram - e que o ministro Correia de Campos
invocou várias vezes - que tem sido algo muito estudado na economia da
saúde. A ideia é ter poucos locais onde o volume das intervenções muito
técnicas e muito especializadas é grande. Escolher a concentração é
claramente uma via muito positiva. Há enormes economias de escala,
economias de aprendizagem, que levam a melhores resultados em termos de
saúde, de segurança, em termos de efectividade das intervenções. Todas as
intervenções cirúrgicas e todo o tipo de intervenções tecnologicamente
sofisticadas têm uma grande componente de experiência, de aprendizagem,de
‘on the job training’. Pensar que se podem ter unidades pequenas a fazer
pequenos volumes de intervenções é perfeitamente errado do ponto de vista
da própria qualidade do processo.
GH – Mas é este o caminho para controlar as despesas ou existem outras
áreas de intervenção?
MG – Tem a ver com a própria qualidade técnica dos serviços prestados.
Está muito estudado o facto de intervenções mais diferenciadas, quase todo
o tipo de cirurgias um bocadinho mais complexas, terem muito a ganhar com
a concentração e com elevados volumes. E isto nem sequer tem a ver com
economia mas, sim, com a qualidade técnica dos serviços.
Uma segunda parte, que é a da consolidação hospitalar, tem a ver com o
facto de, com as novas tecnologias, serem precisas menos camas. Não faz
sentido ter hospitais espalhados por todo o lado. Faz sentido ter um
parque hospitalar mais sofisticado e mais pequeno. O que acontece é que
muitos cuidados, que antes eram de internamento, agora levam apenas a
tratamento em ambulatório. O que sobra e que continua a ficar no hospital
é tecnologicamente mais pesado que no passado. Pode-se poupar custos em
alguns serviços, mas esses custos vão surgir onde os mesmos doentes vão
ser tratados de forma tecnologicamente mais sofisticada. Não é nada óbvio
que se gerem, assim, tantas poupanças como isso.
GH – Então onde é que se pode cortar nas despesas da Saúde?
MG – Tivemos duas experiências muito interessantes na Europa – a
experiência finlandesa nos anos 90 e, nos 80, já tinha acontecido a mesma
coisa na Irlanda. São países que, por causa de crises de finanças
públicas, uma situação à qual não somos estranhos, registaram-se mudanças
relativamente radicais no seu sistema de saúde em que, em dois ou três
anos, a percentagem do PIB dedicada à saúde decresceu de forma
significativa – um por cento. O que, no montante global considerado, é
enorme. E, quer no caso da Irlanda quer no caso da Finlândia, essa redução
ocorreu e quando olhamos para a esperança de vida e para todos os
indicadores normais de saúde na população nada foi alterado. Portanto,
aparentemente, foi possível cortar as despesas de saúde em 1% do PIB sem
que seja óbvio que isso tenha tido reflexos maus na saúde da população.
Isto é a prova que existe muita ineficiência no sistema que é possível
retirar. Mas se nós retirarmos, por um passe de mágica, 1%, 2%, 3% de
gordura ao sistema nacional de saúde e o tornamos muito eficiente, a longo
prazo as despesas em saúde vão continuar a crescer imenso. E isso é
razoável por uma razão muito simples: o que o sistema de saúde produz é
tempo e qualidade de vida, que é uma coisa que as pessoas valorizam muito.
Estarmos a gastar muito num sector que produz algo com muito valor não é
necessariamente mau. Os custos são grandes mas os benefícios são ainda
maiores.
GH – Falando de ineficiência, fala-se de desperdício e há áreas em que se
pode cortar, como nos medicamentos. Mas a medida de impôr um tecto de
crescimento de 4% não tem funcionado.
MG – A realidade que existe acerca de todo o tipo de medidas que são
feitas de forma cega e global é sempre a história de apertar um balão
cheio de ar. Apertamos e o balão fica mais pequeno mas, depois, o ar vai
para outro lado.
Tipicamente o que acontece quando temos medidas destas, globais, é que a
indústria, que tem muita criatividade, acaba sempre por encontrar outros
lugares onde fazer crescer a despesa. São medidas que têm sempre impacto a
curto prazo, mas a longo prazo há sempre uma compensação e, no final, a
medida acaba por sempre muito menos eficaz.
Por outro lado, há aqui algumas coisas nas medidas que têm vindo a ser
tomadas que me parecem males menores. Quando estive na comissão de
avaliação dos hospitais SA fiquei com a nítida sensação que, apesar de em
alguns hospitais as comissões de farmácia e terapêutica funcionarem
relativamente bem e serem criteriosas a seleccionar os novos medicamentos
que adoptam, noutros hospitais o critério para comprar novos medicamentos
era praticamente inexistente. Lembro-me de um hospital onde o presidente
do conselho de administração me mostrou uma pilha de pedidos onde, mesmo
que ele só desse autorização para um terço, passávamos de três listas
telefónicas para uma lista telefónica.
Além de tectos gerais, que podem não funcionar muito bem, acho que o que
vai ter mais impacto a longo prazo é que a admissão de novos medicamentos
nos hospitais passa a ser decidida centralmente e não fica sujeita à
discrição de cada hospital. Não é o ideal mas provavelmente é um mal
menor.
entrevista de Marina Caldas, Gestão Hospitalar, Dez 06

__._,_.___
__,_._,___

суббота, декабря 16, 2006

EU

EU

EU PENSO. LOGO COM OS PÉS


Médicos acusam ministro de matar SNS


O bastonário da Ordem dos Médicos acusou ontem o ministro da Saúde de "matar o serviço de saúde" ao determinar "ilegalmente" a incompatibilidade de funções de direcção em instituições públicas e privadas e alertou para a "destabilização do sector".

Um despacho do ministro da Saúde, Correia de Campos, a que a Lusa teve acesso, determinou como "incompatível" o exercício de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde por profissionais de instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Para António Correia de Campos, "o exercício de funções dirigentes em entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais de instituições integradas no SNS, independentemente da sua natureza jurídica, é passível de comprometer a isenção e imparcialidade com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público".

A medida mereceu um forte repúdio do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, para quem se trata de "um despacho totalmente ilegal", uma vez que existe um decreto-lei (73/90) que autoriza os médicos do SNS a exercer fora destas instituições públicas.

Para Pedro Nunes, o ministro "arrisca-se a sofrer uma oposição fortíssima dos médicos, capaz de destabilizar o sector".

Isto porque, a ser levado à letra, o despacho impede qualquer profissional do SNS de exercer cargos de direcção fora das instituições públicas, o que impede, designadamente, que os médicos que trabalham no sector público possam dirigir os seus consultórios privados.

O bastonário não tem dúvidas de que, a terem de optar, "muitos médicos irãO OPTAR PELO PRIVADO

EU PENSO. LOGO COM OS PÉS

Médicos acusam ministro de matar SNS


O bastonário da Ordem dos Médicos acusou ontem o ministro da Saúde de "matar o serviço de saúde" ao determinar "ilegalmente" a incompatibilidade de funções de direcção em instituições públicas e privadas e alertou para a "destabilização do sector".

Um despacho do ministro da Saúde, Correia de Campos, a que a Lusa teve acesso, determinou como "incompatível" o exercício de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde por profissionais de instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Para António Correia de Campos, "o exercício de funções dirigentes em entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais de instituições integradas no SNS, independentemente da sua natureza jurídica, é passível de comprometer a isenção e imparcialidade com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público".

A medida mereceu um forte repúdio do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, para quem se trata de "um despacho totalmente ilegal", uma vez que existe um decreto-lei (73/90) que autoriza os médicos do SNS a exercer fora destas instituições públicas.

Para Pedro Nunes, o ministro "arrisca-se a sofrer uma oposição fortíssima dos médicos, capaz de destabilizar o sector".

Isto porque, a ser levado à letra, o despacho impede qualquer profissional do SNS de exercer cargos de direcção fora das instituições públicas, o que impede, designadamente, que os médicos que trabalham no sector público possam dirigir os seus consultórios privados.

O bastonário não tem dúvidas de que, a terem de optar, "muitos médicos irão optar pelo privado".
Governo desafiado a instituir figura de provedor do Interior
"Acesso aos cuidados de saúde é insuficiente"
Cuidados primários com evolução positiva
Estudantes contra política do Ensino Superior
Reitores e CNAVES não receberam relatório OCDE
Proposta do PS gera críticas da Oposição

пятница, декабря 15, 2006

CORREIA DE CAMPOS: EU NUNCA ME ENGANO

Ministro: Incompatibilidades afastarão poucos médicos do SNS


O ministro da Saúde reconheceu hoje que a incompatibilidade de funções de direcção em instituições públicas e privadas vai afastar alguns médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas garantiu que essa «fluidez» só vai melhorar o sector.

Correia de Campos admite que, a terem de optar, alguns médicos deixarão os cargos de chefia que ocupam no SNS, mas que serão «poucos».

Para o ministro, o despacho que assinou e que determinou como «incompatível» o exercício de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde por profissionais de instituições integradas no SNS não vai destruir o sector, como vaticinou na quarta-feira o bastonário da Ordem dos Médicos.

O ministro mostrou-se pouco preocupado com as apreensões do bastonário e lembrou que «ninguém pode servir dois amos de forma igualmente fiel». «Há muita gente que conhece os problemas de dupla militância e sabe que esta não conduz a lado nenhum», disse António Correia de Campos.

Para Pedro Nunes, o ministro «arrisca-se a sofrer uma oposição fortíssima dos médicos, capaz de destabilizar o sector». Isto porque, a ser levado à letra, o despacho impede qualquer profissional do SNS de exercer cargos de direcção fora das instituições públicas, o que impede, nomeadamente, que os médicos que trabalham no sector público possam dirigir os seus consultórios privados.

A medida deverá, na óptica de António Correia de Campos, «descongestionar a capacidade de promoção do SNS» e criar oportunidades para «os muitos profissionais que esperam por uma oportunidade de servir em cargos de direcção».

António Correia de Campos falava aos jornalistas à margem da Conferência da Indústria Farmacêutica sobre Desafios para a Inovação e Saúde, que decorre em Lisboa.

Diário Digital / Lusa

EU PENSO. LOGO COM OS PÉS

Médicos: Bastonário acusa Correia de Campos de «arrogância»


O bastonário da Ordem dos Médicos considera que o despacho do ministro da Saúde, Correia de Campos, que proíbe os profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de exercerem funções de coordenação em instituições privadas é fruto de «arrogância» e um convite ao abandono do serviço público por parte de profissionais de valor.

Em declarações esta quarta-feira à TSF, Pedro Nunes questionou a validade do despacho do ministro, revelado na véspera pela Agência Lusa, que classifica como «incompatível» o exercício, por parte de profissionais do SNS, de funções de direcção em prestadores de cuidados de saúde privados.

Segundo o bastonário, o decreto-lei 73/90 assegura aos funcionários do SNS a possibilidade de trabalharem no sector privado.

O decreto-lei 73/90, actualmente em vigor, reformulou as carreiras médicas e Pedro Nunes considera impossível que o ministro «contrarie por despacho a própria lei».

Pedro Nunes classifica a decisão da tutela como sendo «um convite aos médicos mais diferenciados a abandonar» o SNS e considera que ela é fruto de «alguma arrogância».

Segundo o referido despacho, «o exercício de funções dirigentes em entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais de instituições integradas no SNS, independentemente da sua natureza jurídica, é passível de comprometer a isenção e imparcialidade com o consequente risco de prejuízo efecti

BOM NATA

Aprovado congelamento de carreiras e o aumento da ADSE

Os diplomas que vão prorrogar o congelamento das carreiras dos funcionários públicos até ao fim de 2007 e aumentar-lhes a contribuição para a ADSE foram aprovados em votação final global no Parlamento, apenas com os votos da maioria socialista.

PSD, CDS-PP, PCP, Bloco de Esquerda e partido ecologista Os Verdes votaram todos contra as propostas de lei do Governo.

A proposta do Governo para prorrogar o congelamento das carreiras dos funcionários públicos até 31 de Dezembro de 2007 foi criticada, antes da sua aprovação na generalidade, por todos os partidos da oposição, que contestaram nomeadamente a forma como o Executivo socialista está a fazer a reforma da Administração Pública.

O diploma que vai aumentar a contribuição dos funcionários públicos para a ADSE de 1% para 1,5% foi igualmente criticado pela oposição, tendo o Governo justificado este aumento com a necessidade de evitar a rotura a médio prazo do sistema de protecção social dos funcionários públicos.

Os deputados da oposição chamaram a atenção para o facto de os funcionários públicos, com este aumento contributivo, passarem a descontar mais do que os trabalhadores do sector privado e criticaram o facto de os pensionistas também passarem a descontar para a ADSE, o que representa uma quebra nas suas pensões.

Diário Digital / Lusa

15-12-2006 1:12:00

воскресенье, декабря 10, 2006

O NOSSO FUTURO?????


Correia de Campos contra «hospitais centrais em miniatura»
Proximidade compensa fecho de urgências nocturnas
Os hospitais distritais que, no próximo ano, deixarão de fazer urgências nocturnas serão transformados em hospitais de proximidade. «Qualificar» as urgências nocturnas e criar mais serviços de cirurgia de ambulatório são os objectivos da medida anunciada por Correia de Campos.
Funcionam das oito da manhã às oito da noite, «alguns até estão fechados ao fim-de-semana» e a sua acção centra-se na cirurgia minimamente invasiva e nas consultas externas. É este o modelo de funcionamento dos «hospitais de proximidade», um formato que testado em Espanha e que o ministro da Saúde quer aplicar aos hospitais distritais de pequena dimensão que, de acordo com a recomendação feita no âmbito da requalificação das urgências, venham a encerrar o serviço de urgências nocturnas.
«É muito mais importante para a população que os pequenos hospitais [concelhios e distritais de nível I], em vez de terem uma urgência que acolhe dois casos cirúrgicos e oito a dez casos de medicina geral por noite, tenham das oito da manhã às oito da noite um serviço de cirurgia de dia aberto e um serviço de consulta externa de especialidades, com especialistas vindos de hospitais mais fortes», disse Correia de Campos ao «Tempo Medicina», durante a apresentação do projecto Infocancer, no Ipatimup, no passado dia 4 (ver pág. 32 desta edição).
Ciente da contestação que a aplicação da medida irá criar, o governante, para quem não faz sentido o funcionamento daquelas estruturas enquanto «miniaturas dos hospitais centrais», vai promover uma ronda de reuniões com vários autarcas e tem já agendada para este mês uma «visita de estudo» a Espanha com alguns presidentes de câmara das regiões para as quais está prevista esta mudança.
«O objectivo é vermos in loco como é possível termos soluções mais úteis para a população» do que a «simples» de «ter uma urgência aberta durante a noite e com uma equipa que faz uma ou duas cirurgias», explicitou, para acrescentar que a visita à região espanhola da Extremadura inclui ainda um contacto com a unidade de cirurgia minimamente invasiva de Cáceres, especializada no treino desta técnica. «Os nossos profissionais foram treinados numa época em que, para muitos, não havia ainda cirurgia minimamente invasiva, daí a visita», justificou, para dizer que, «se for necessário, organizaremos um programa de treino».
Apostado em explicar e demonstrar a eficácia da solução apresentada, Correia de Campos sabe que não terá a vida facilitada e que as populações irão reagir emocionalmente, um cenário que desvaloriza. «A vida é feita de protesto. E de protesto em protesto nasce o progresso», diz.
Na lógica da concentração de várias unidades num centro hospitalar, o ministro destaca a possibilidade de os pequenos hospitais poderem sempre recorrer à ajuda de médicos vindos de outras unidades do grupo para a realização de consultas de especialidade, o que deverá acontecer durante todo o dia.
O modelo deverá ser posto em prática já em 2007, que, considera Correia de Campos, «será o ano da qualificação dos hospitais que têm urgências e não precisam de as ter».

Modelo das USF nos hospitais

Questionado sobre a avaliação dos funcionários públicos afectos à saúde no âmbito da reforma da Administração Pública, Correia de Campos disse não lhe caber a responsabilidade de fiscalizar a gestão dos hospitais. «O ministro não é um fiscal, é um regulador», disse, para acrescentar que, no caso da assiduidade, a responsabilidade não é sequer do director do hospital ou do respectivo departamento.
O titular da pasta da saúde defendeu, assim, a adopção do modelo de organização das unidades de saúde familiar (USF) para as unidades hospitalares, dizendo que «as unidades orgânicas hospitalares serão constituídas de forma organizadamente voluntária, como nas USF», um processo que, admitiu, poderá levar ao aparecimento de excedentários. «Provavelmente vai haver excedentes nessa matéria. Mas há muito trabalho para dar a médicos especialistas que sejam excedentários nos hospitais centrais», afirmou, para concluir que, «ao longo de 30 anos, os grandes hospitais incharam de pessoal necessário e não necessário».

Paula Mourão Gonçalves

...CAIXA...

Mudanças drásticas

«Como do dia para a noite». Foi assim que o ministro classificou a mudança operada no atendimento aos utentes com a entrada em funcionamento das unidades de saúde familiar (USF) de Sobrado e Valongo, no distrito do Porto. Três meses após o arranque das duas estruturas pioneiras, Correia de Campos visitou os espaços e mostrou-se «muitíssimo bem impressionado» com o que viu.
O governante destacou a «ligação directa e pessoal entre o médico e o doente» que, «logo na primeira consulta, recebe um cartão com o horário do médico e o seu número de telemóvel». Além de uma maior ligação pessoal e, por consequência, uma crescente responsabilização das duas partes, o modelo permitiu ainda reduzir o tempo de espera pelas consultas e a aglomeração de pessoas nos centros.
Esperando ter 41 USF a funcionar até ao final do ano, Correia de Campos lembrou que a grande vantagem do modelo agora experimentado tem a ver com um aumento substancial do número de pessoas com médico de família, explicando que cada lote de 100 USF representa entre 125 a 130 mil utentes com médico de família.
«Há três meses que estamos a fazer história. Mas a história também se faz de solavancos», concluiu, dizendo ser ainda cedo para fazer um balanço.

...CAIXA...

Doutoramento e internato de especialidade em simultâneo

Preparada para ser aprovada «dentro de semanas», a legislação sobre o Regime do Internato Médico (RIM) permitirá aos médicos fazer programas de doutoramento em investigação clínica durante o internato.
Correia de Campos salientou este aspecto do novo RIM enfatizando que irá abrir o leque de médicos que aliam a prática clínica à investigação. «Há em Portugal muito pouca tradição no domínio da investigação clínica e se temos médicos com prática de investigação é porque a fizeram no estrangeiro», disse, para acrescentar que a medida visa exactamente, «recuperar este atraso».
O programa, que liga os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, prevê que os médicos que adiram à iniciativa tenham um período de internato maior, já que grande parte do seu tempo de trabalho vai ser aplicado na investigação.

TM 1.º CADERNO de 2006.12.11
0612221C02106PMG49A