Hospital? Amato Lusitano

воскресенье, Ноябрь 19, 2006

TAL E QUAL COMO CÁ

A Espírito Santo Saúde quer revolucionar os internamentos nas unidades privadas, com uma grande aposta na tecnologia

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Custou 120 milhões de euros, abre as portas no final do ano e é a razão pela qual foi criada, em 2000, a Espírito Santo Saúde (ESS).

O Complexo Integrado de Saúde da Luz, em Lisboa, começou a tomar forma há seis anos, embora as obras só tenham arrancado no final de 2003. O projecto, que engloba um hospital, em forma de H, e uma residência para seniores - 115 apartamentos -, resulta da parceria entre os gabinetes de arquitectura Risco (Manuel Salgado) e Pinearq (Albert de Pineda).

A proximidade da linha de metropolitano que serve o centro comercial Colombo (fica ao lado do hospital) demorou a construção das fundações do complexo. Toda a estrutura assenta num inovador sistema antivibrações, composto por 315 apoios elásticos que suportam sismos de elevada intensidade, e anulam a trepidação provocada pelo Metro. “Somos os únicos, em Portugal, com uma construção deste tipo”, realça Isabel Vaz, presidente da comissão executiva da ESS.

Só o Hospital da Luz - o primeiro da ESS a ser construído de raiz - absorveu 100 milhões de euros do total investido. São cinco pisos acima do solo e outros quatro abaixo, dos quais três de estacionamento. A luz natural predomina (daí o nome do hospital), sobretudo em zonas críticas como a Unidade de Cuidados Intensivos e o Bloco Operatório. Além de ser benéfico para o doente também permite ganhos energéticos.

Ao todo, o Hospital da Luz tem 168 quartos (250 camas) e vem reforçar a oferta dos grupos privados de saúde na região de Lisboa. Os preços cobrados aos doentes “serão os praticados no mercado”, assegura Isabel Vaz, adiantando que a ESS está a negociar acordos e convenções com seguradoras e com o Estado. A ESS quer recuperar o investimento em sete anos.

No próximo mês já são dadas consultas e, em Janeiro de 2007, todos os serviços entram em funcionamento. Assim que atingir a ‘velocidade de cruzeiro’, a unidade hospitalar da ESS terá 895 trabalhadores, dos quais 225 médicos e 260 enfermeiros. Já está pessoal a trabalhar desde Novembro e até ao final do ano serão realizados simulacros clínicos, para testar quer os equipamentos quer os procedimentos médicos. Antes houve acções de formação, nomeadamente para ensinar os funcionários a trabalharem com o sistema de informação Sorian, desenvolvido em parceria com a Siemens.

Os papéis estão ‘proibidos’ no Hospital da Luz, ou seja, as fichas médicas e os exames, por exemplo, são digitais. Cada uma das camas do Hospital da Luz está equipada com um «cockpit», que consiste num computador instalado junto ao doente. A partir dos terminais, os médicos e enfermeiros acedem às fichas dos doentes e podem explicar os resultados de exames, a medicação ou operações. Além disso, o PC emite alertas sobre interacções medicamentosas ou quando há alterações nos sinais vitais. Outro papel dos computadores é ‘aliviar’ as estadas dos pacientes no hospital. Ver filmes, ouvir rádio, telefonar, navegar na Internet, chamar o enfermeiro, escolher a ementa, pedir o jornal, controlar as despesas que lhe são debitadas e estar em videoconferência com os amigos são apenas algumas das funcionalidades que o «cockpit» oferece. A ideia é que o mesmo PC sirva as necessidades do doente e dos profissionais de saúde.

Outra preocupação foi a protecção da privacidade dos doentes internados, que circulam em corredores próprios sem nunca se cruzarem com os restantes utentes do hospital, que ali se irão deslocar para consultas, exames ou tratamentos (o hospital tem capacidade para atender entre 3 a 4 mil pessoas, por dia). Há também uma grande aposta na investigação e nas técnicas que permitem cirurgias e diagnósticos menos invasivos.

A ESS estima facturar entre 76 e 80 milhões de euros, em 2006, e, dentro de cinco anos, quer atingir os 200 milhões de euros. Tem seis hospitais (um dos quais é da Misericórdia, mas está sob a sua gestão), quatro clínicas ambulatórias e uma residência para seniores. Entretanto, está a finalizar a construção de outra clínica, em Oeiras.


Ana Sofia Santos