Hospital? Amato Lusitano

воскресенье, Ноябрь 26, 2006

TAL PAI TAIS BOYS


É UMA VERGONHA ESTA MANEIRA DE AGIR MAS PELOS VISTOS ACHAM BEM E COPIAM.

ATENÇÃO OS SUBLINHADOS SÃO MEUS

NÃO TEMOS RAZÃO PARA NOS REVOLTARMOS?????

NÓS PENSAMOS COM OS PÉS E ELES QUE MUDAM DE OPINIÃO A QUALQUER HORA E NÃO TÊM PALAVRA NEM CORAGEM DE FALAR, SABEMOS PELOS JORNAIS.

A INDIGANAÇÃO É O MINIMO A DESCONSIDERAÇÃO É A CONSEQUÊNCIA



Centro Materno-Infantil do Norte
Carta aberta ao senhor ministro da Saúde
Excelência,

Quando, nos finais do ano passado, V.ª Ex.ª anunciou aos portuenses, desde o bonito espaço da Alfândega, com a pompa e circunstância adequada à dignidade do lugar, que finalmente o velho Hospital Maria Pia iria dar lugar ao Centro Hospitalar Júlio Diniz/Maria Pia, confesso que exultei pensando ter chegado a hora da verdade e da justiça.

Convicto e entusiasmado bati calorosamente as palmas, que é a forma expedita de homenagear os homens decididos e com talento para saberem ser homens do seu tempo.
Também o Porto, através de alguns dos seus notáveis, entre os quais Agustina, Mário Cláudio, Albino Aroso, Daniel Serrão, Nuno Grande, Almeida e Sousa e Paulo Mendo, lhe remeteu felicitações por tão importante decisão.

De tão sensibilizado, veja V.ª Ex.ª, fui reler o seu prefácio do meu «cidadão de fraldas». Eu recordo: «Agora ou nunca. Há que saber aproveitar a ocasião! O mais difícil já se venceu. O espaço foi libertado, o programa concluído, os recursos disponibilizados». E no final, um pedido inteligente para quem já não era ministro da Saúde: «(…) que me possam convidar para a inauguração do Centro Materno-Infantil do Norte».

Em Março deste ano, V.ª Ex.ª honrou-me nomeando-me para a comissão que, pela enésima vez, iria tratar do famigerado Centro Materno Infantil (CMI) do Norte!...

Imagine pois a minha surpresa e decepção, e certamente a de muitos portuenses, quando soubemos pelos jornais e televisão que afinal V.ª Ex.ª iria distribuir os serviços médico-cirúrgicos e administrativos do Hospital Maria Pia por outros hospitais e ainda colocar o assunto à discussão pública! Que reviravolta! Que despudor!

Com que sentido e alcance vai ser discutido, em público, o que não foi discutido em privado, já que nem por cortesia ouviram as pessoas nomeadas no seu despacho?

Duas décadas após se ter falado pela primeira vez no CMI do Norte, depois de numerosas comissões, vários programas funcionais, os melhores técnicos, os maiores estudos, repetidas promessas e declarações políticas, V.ª Ex.ª, duma penada, dita a sentença de morte a uma instituição portuense que, em Dezembro deste ano, completará 125 anos de vida ímpar ao serviço das crianças da cidade e do norte de Portugal.

Mas será que os portuenses aceitam?!
Poderá o ministro dum Governo maioritário destruir o que o povo criou, a cidade manteve e o Estado se apropriou na tempestade do PREC?!

À semelhança de Lisboa, Coimbra, Paris, Madrid, Londres, também o Porto merece e precisa dum centro materno-infantil. Um lugar destinado à mulher e à criança, símbolo e objecto duma verdadeira política de natalidade que o país tanto necessita, a contrapor a tendência fundamentalista do hospital-centrismo. Um espaço que dê azo à cultura do crescimento harmonioso, agora que estamos à porta da cura das doenças infantis e no limiar mais baixo de mortalidade neonatal. Não nos esqueçamos que é aqui que se desenha o cidadão do futuro.

Bem sabemos, senhor ministro, que por mais que dure a cisma e a indecisão, haverá sempre delongas... Quem continue a pôr em causa os centros materno-infantis, mas nunca o suficiente para afastar o conceito e a obra. Estas palavras são suas e têm pouco mais de três anos!

Recordar o projecto e reflectir os seus percalços é um bom exercício para quem goste de estudar o carácter nacional.
Para tanto, bastará lembrar a decisão do seu antecessor que queria construir um anexo a Norte (Hospital de S. João) e compará-la agora com a decisão de V.ª Ex.ª em repartir a construção a Sul (Hospital de Santo António, Maternidade e CICAP).

Afinal quem tem razão é Agustina Bessa Luís quando afirma que o Centro Materno Infantil do Norte é uma história de moira encantada, e se interroga se alguma vez houve vontade de o concretizar. De facto!...
Por último, aqui fica o meu voto de que o convidem para a inauguração e a cidade do Porto lhe conceda o tributo que lhe aprouver.

Cordialmente,

José Manuel Pavão
Médico, ex-director do Hospital de Crianças Maria Pia 1988-2003

Destaques da responsabilidade da Redacção

TM 1.º CADERNO de 2006.11.27
0612201C20306JMA47A