O NOSSO FUTURO?????
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| Correia de Campos contra «hospitais centrais em miniatura» |
| Proximidade compensa fecho de urgências nocturnas |
| Os hospitais distritais que, no próximo ano, deixarão de fazer urgências nocturnas serão transformados em hospitais de proximidade. «Qualificar» as urgências nocturnas e criar mais serviços de cirurgia de ambulatório são os objectivos da medida anunciada por Correia de Campos. Funcionam das oito da manhã às oito da noite, «alguns até estão fechados ao fim-de-semana» e a sua acção centra-se na cirurgia minimamente invasiva e nas consultas externas. É este o modelo de funcionamento dos «hospitais de proximidade», um formato que testado em Espanha e que o ministro da Saúde quer aplicar aos hospitais distritais de pequena dimensão que, de acordo com a recomendação feita no âmbito da requalificação das urgências, venham a encerrar o serviço de urgências nocturnas. «É muito mais importante para a população que os pequenos hospitais [concelhios e distritais de nível I], em vez de terem uma urgência que acolhe dois casos cirúrgicos e oito a dez casos de medicina geral por noite, tenham das oito da manhã às oito da noite um serviço de cirurgia de dia aberto e um serviço de consulta externa de especialidades, com especialistas vindos de hospitais mais fortes», disse Correia de Campos ao «Tempo Medicina», durante a apresentação do projecto Infocancer, no Ipatimup, no passado dia 4 (ver pág. 32 desta edição). Ciente da contestação que a aplicação da medida irá criar, o governante, para quem não faz sentido o funcionamento daquelas estruturas enquanto «miniaturas dos hospitais centrais», vai promover uma ronda de reuniões com vários autarcas e tem já agendada para este mês uma «visita de estudo» a Espanha com alguns presidentes de câmara das regiões para as quais está prevista esta mudança. «O objectivo é vermos in loco como é possível termos soluções mais úteis para a população» do que a «simples» de «ter uma urgência aberta durante a noite e com uma equipa que faz uma ou duas cirurgias», explicitou, para acrescentar que a visita à região espanhola da Extremadura inclui ainda um contacto com a unidade de cirurgia minimamente invasiva de Cáceres, especializada no treino desta técnica. «Os nossos profissionais foram treinados numa época em que, para muitos, não havia ainda cirurgia minimamente invasiva, daí a visita», justificou, para dizer que, «se for necessário, organizaremos um programa de treino». Apostado em explicar e demonstrar a eficácia da solução apresentada, Correia de Campos sabe que não terá a vida facilitada e que as populações irão reagir emocionalmente, um cenário que desvaloriza. «A vida é feita de protesto. E de protesto em protesto nasce o progresso», diz. Na lógica da concentração de várias unidades num centro hospitalar, o ministro destaca a possibilidade de os pequenos hospitais poderem sempre recorrer à ajuda de médicos vindos de outras unidades do grupo para a realização de consultas de especialidade, o que deverá acontecer durante todo o dia. O modelo deverá ser posto em prática já em 2007, que, considera Correia de Campos, «será o ano da qualificação dos hospitais que têm urgências e não precisam de as ter». Modelo das USF nos hospitais Questionado sobre a avaliação dos funcionários públicos afectos à saúde no âmbito da reforma da Administração Pública, Correia de Campos disse não lhe caber a responsabilidade de fiscalizar a gestão dos hospitais. «O ministro não é um fiscal, é um regulador», disse, para acrescentar que, no caso da assiduidade, a responsabilidade não é sequer do director do hospital ou do respectivo departamento. O titular da pasta da saúde defendeu, assim, a adopção do modelo de organização das unidades de saúde familiar (USF) para as unidades hospitalares, dizendo que «as unidades orgânicas hospitalares serão constituídas de forma organizadamente voluntária, como nas USF», um processo que, admitiu, poderá levar ao aparecimento de excedentários. «Provavelmente vai haver excedentes nessa matéria. Mas há muito trabalho para dar a médicos especialistas que sejam excedentários nos hospitais centrais», afirmou, para concluir que, «ao longo de 30 anos, os grandes hospitais incharam de pessoal necessário e não necessário». Paula Mourão Gonçalves ...CAIXA... Mudanças drásticas «Como do dia para a noite». Foi assim que o ministro classificou a mudança operada no atendimento aos utentes com a entrada em funcionamento das unidades de saúde familiar (USF) de Sobrado e Valongo, no distrito do Porto. Três meses após o arranque das duas estruturas pioneiras, Correia de Campos visitou os espaços e mostrou-se «muitíssimo bem impressionado» com o que viu. O governante destacou a «ligação directa e pessoal entre o médico e o doente» que, «logo na primeira consulta, recebe um cartão com o horário do médico e o seu número de telemóvel». Além de uma maior ligação pessoal e, por consequência, uma crescente responsabilização das duas partes, o modelo permitiu ainda reduzir o tempo de espera pelas consultas e a aglomeração de pessoas nos centros. Esperando ter 41 USF a funcionar até ao final do ano, Correia de Campos lembrou que a grande vantagem do modelo agora experimentado tem a ver com um aumento substancial do número de pessoas com médico de família, explicando que cada lote de 100 USF representa entre 125 a 130 mil utentes com médico de família. «Há três meses que estamos a fazer história. Mas a história também se faz de solavancos», concluiu, dizendo ser ainda cedo para fazer um balanço. ...CAIXA... Doutoramento e internato de especialidade em simultâneo Preparada para ser aprovada «dentro de semanas», a legislação sobre o Regime do Internato Médico (RIM) permitirá aos médicos fazer programas de doutoramento em investigação clínica durante o internato. Correia de Campos salientou este aspecto do novo RIM enfatizando que irá abrir o leque de médicos que aliam a prática clínica à investigação. «Há em Portugal muito pouca tradição no domínio da investigação clínica e se temos médicos com prática de investigação é porque a fizeram no estrangeiro», disse, para acrescentar que a medida visa exactamente, «recuperar este atraso». O programa, que liga os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, prevê que os médicos que adiram à iniciativa tenham um período de internato maior, já que grande parte do seu tempo de trabalho vai ser aplicado na investigação. TM 1.º CADERNO de 2006.12.11 0612221C02106PMG49A |


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